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O desastre anunciado que não aconteceu

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21.08.2026

Há poucas semanas, o processo de correção digital dos exames nacionais era descrito como um desastre em curso. Um movimento de professores documentava, quase ao minuto, dezenas de casos de convocatórias erradas, incluindo docentes já reformados ou, nalguns casos, já falecidos. A Fenprof apresentou queixa na Procuradoria-Geral da República. O PCP forçou um debate de urgência no Parlamento, com uma deputada a falar em “opção política desastrosa” a colocar “em causa a vida destes jovens”. O ministro da Educação chegou a admitir, publicamente, que o processo podia acabar em Portugal se os problemas se repetissem. Semanas depois, os números contam uma história bem diferente: todos os exames foram corrigidos e classificados, o calendário de acesso ao ensino superior manteve-se inalterado, e a primeira fase do concurso de acesso registou 60.391 candidatos, o número mais alto em três décadas fora dos anos de pandemia.

Vale a pena parar aqui antes de seguir em frente. O que estava em causa não era uma medida cosmética. Era a extensão da correção digital a todas as disciplinas dos exames nacionais, depois de, no ano anterior, o modelo ter sido testado........

© Observador