O algoritmo como novo diretor de marketing
Na era contemporânea, as marcas deixaram de ser meros elementos do mercado para se tornarem protagonistas silenciosas do quotidiano. Estão presentes nas escolhas que fazemos, nas preferências que desenvolvemos e nas relações simbólicas que construímos com produtos e serviços, muitas vezes sem darmos por isso. A marca já não se limita a identificar uma oferta, funciona como um sistema sofisticado de significados capaz de influenciar comportamentos com uma eficácia quase invisível, o que, convenhamos, é simultaneamente brilhante e ligeiramente inquietante.
Este entendimento da marca enquanto construção estratégica consolidou-se ao longo do século XX, com contributos determinantes de autores como David Aaker e Philip Kotler, que a conceptualizaram como um conjunto de valores, associações e promessas geridas de forma deliberada pelas organizações. O pressuposto central era claro e confortável, o controlo. As marcas sabiam quem eram, o que queriam comunicar e como desejavam ser percecionadas. Definiam propostas de valor robustas, construíam identidades consistentes e recorriam aos meios de comunicação disponíveis, da televisão à imprensa, passando pela publicidade exterior, para difundir uma narrativa coerente ao........
