Planear com estratégia
O estádio de Leiria danificado e os postes de alta tensão dobrados são a última imagem do quanto custam as más opções. Do quanto custa a falta de planeamento estratégico. Entre um estádio com uma utilização que ficou aquém das expectativas e a distribuição subterrânea de rede eléctrica, o país preferiu o estádio. É verdade que a escolha nunca foi entre uma coisa e a outra e a comparação que faço é meramente imagética. Da mesma maneira ninguém podia adivinhar o que ia acontecer, nem se está a pedir que se enterre toda a rede eléctrica do país. Mas o planeamento é isso mesmo: pesar os prós e os contras, medir custos e oportunidades e depois decidir. E também antecipar problemas. Se as decisões são boas ou más, o futuro di-lo-á. Como o disse na madrugada de 28 de Janeiro. Após a catástrofe que se abateu sobre a região de Leiria vimos comprovado o que devíamos ter aprendido em Pedrógão. Que o planeamento é importante e que o investimento pode ser elevado mas, se não desperdiçarmos capital em despesas sem retorno, pode ser rentável. Além de salvar vidas, proteger empregos e facilitar em muito a vida das pessoas.
Um dos livros mais interessantes que li no último Verão foi ‘A Pequena Idade do Gelo – Como o Clima fez História (1300-1850)‘ do arqueólogo britânico Brian Fagan. Fagan (que faleceu em Julho último) tem uma vasta obra sobre as consequências do clima na história e neste livro chama-nos a atenção para os efeitos que as alterações climáticas ocorridas no início do século XIV provocaram na vida das pessoas e dos estados. Desde doenças e guerras, secas e inundações a perda inteiras de produção agrícola, uma série de desastres naturais ampliados devido à ignorância (natural dado o conhecimento não científico destes fenómenos) e às dificuldades na adaptação ao novo clima.........
