Como é barulhenta a felicidade em 2026
Duas pessoas, num sábado à tarde, procuravam uma esplanada tranquila para conversar. Conhecendo o tempo e o movo, não se lançaram tresloucadamente à aventura; fizeram planos prévios, estudos, cálculos: vamos a esta, que fica num jardim pouco conhecido nas traseiras de uma biblioteca – deve estar calma. Mas, à chegada, o terror: o jardim tinha sido cedido para uma festa dita de folclore colombiano, com reggaeton a níveis transatlânticos de decibéis, grelhas a expelirem fumo e cheiro a bifana por três quarteirões, barraquinhas disto e daquilo, o povo espalhado pela relva a beber imperiais em copos de plástico, fazendo tempo para o concerto que os instrumentos já montados num palco, por ora, abandonado, denunciavam.
Plano b): aquele outro jardim discreto, atrás dum cinema, de que nunca ninguém se lembra. Nem sinal de folclore colombiano ou baile funk; só um arraial montado para uma festa de crianças, ainda ou já sem crianças, com fitas coloridas e música alegadamente infantil em volume capaz de produzir lesões irreversíveis no tímpano do misantropo.
Avança o plano de emergência: o improviso. Ronda pela cidade, às escondidas, fingindo desinteresse nas esplanadas, até avistar por fim uma sem sinais de festa, fitas, balões, palcos, grelhas ou barracas. Um oásis. Pedem dois cafés – não; um latte e uma cerveja, que esta corrida pela cidade numa tarde de Verão deixa marcas. Sentam-se, enfim. E eis que, duma mesa do canto, dois putos começam a botar hip-hop dos telemóveis. E........
