Presidente independente: “Ler as instruções antes de votar”
Em Portugal, gostamos muito de acreditar que o Presidente da República é uma espécie de figura etérea. Paira acima dos partidos, fala para todos, une a nação e só desce à arena política quando a pátria está verdadeiramente em perigo. É uma imagem bonita. Funciona bem em manuais de Educação Cívica e em discursos do 10 de Junho.
Depois começa a campanha presidencial, onde o candidato é apresentado como “independente”. Um candidato acima dos partidos, imune às paixões ideológicas e disponível para representar até quem votou contra ele. É então que nos apercebemos de que essa independência vem com patrocinador, discreto, mas diligente. Não milita, garantem-nos. Apenas pensa exatamente como o partido que o apoia, faz campanha com os seus quadros e beneficia da sua estrutura. Uma coincidência ideológica repetida com notável consistência.
Tudo isto num contexto de campanha feita com apoios partidários, máquinas eleitorais e discursos cuidadosamente alinhados com um campo político muito........
