O estado do Estado
O Estado português é um corpo ilógico, inerte e ingerível, que vai medrando na bruma do nosso quotidiano. Alimenta-se das nossas irritações, dos despautérios que concebe e das redundâncias que inventa, tudo criações da diligente eminência pard(v)a que é o legislador.
Todos os dias se publicam novas leis, num esguicho legislativo tão abundante quanto inútil, que vai corroendo lentamente o que ainda resta de competência no funcionalismo público. Não há governante que resista à tentação de deixar a sua assinaturazinha no Diário da República. Não se avalia o que já existe, jorrando-se novos diplomas sobre outros não revogados.
É a arqueologia do caos: as camadas mais profundas não são removidas, apenas soterradas. Novas leis para as mesmas direcções-gerais, novas competências que se somam às já existentes.
Assim, os funcionários nunca serão suficientes.
O Dr.........
