A avaliação territorial das políticas públicas
Uma política pública pode ser nacional na formulação e profundamente desigual nos efeitos. A mesma medida pode ampliar oportunidades num território, produzir resultados modestos noutro e criar obstáculos num terceiro. A uniformidade da decisão não garante igualdade na concretização.
Esta constatação deveria ocupar um lugar central na forma como Portugal concebe, executa e avalia as políticas públicas. No entanto, o território surge demasiadas vezes no final do processo: como espaço de aplicação de decisões já tomadas, desagregação estatística dos resultados ou explicação tardia para diferenças não antecipadas.
É necessário inverter esta lógica. O território não é apenas o cenário das políticas. É uma das condições que determinam a sua eficácia.
Avaliar territorialmente significa compreender como objetivos, instrumentos, recursos, custos, benefícios e resultados se distribuem entre lugares e populações. Significa perguntar não apenas se a política funcionou, mas onde, para quem e em que circunstâncias.
Esta abordagem não se confunde com a comparação de indicadores regionais. Deve considerar instituições, capacidades, acessibilidades, estruturas demográficas, recursos económicos e condições sociais. A mesma intervenção pode produzir resultados diferentes porque encontra distintas capacidades de acesso, execução e apropriação.
Uma política de digitalização pode simplificar procedimentos e aumentar a distância relativamente ao Estado para quem tem menor conectividade ou literacia digital. A concentração de serviços pode melhorar a eficiência administrativa e transferir para os cidadãos custos de deslocação e de tempo. Um incentivo pode estar disponível em todo o país e beneficiar sobretudo os territórios mais preparados para apresentar candidaturas e executar projetos.
Em todos estes casos, a política é nacional, mas........
