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Quando as eleições mudam tudo. E quando não mudam nada

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22.09.2026

Há eleições que mudam governos. Há eleições que mudam partidos. E há eleições que, mesmo sem mudar imediatamente quem governa, alteram profundamente a forma como um país olha para si próprio. Depois existem outras que cumprem o calendário, enchem urnas, distribuem mandatos e terminam praticamente no mesmo lugar onde começaram.

Talvez seja essa a reflexão mais interessante que fica deste fim de semana eleitoral na Alemanha e na Rússia. Dois países europeus, duas eleições, duas sociedades confrontadas com problemas sérios e duas formas quase opostas de entender aquilo que significa votar.

Na Alemanha, as urnas voltaram a produzir aquilo que as democracias, por vezes, produzem de forma particularmente desconfortável: surpresa, fragmentação e castigo. Em Berlim, o Die Linke venceu com 25,7%, deixando a CDU nos 18,8%. Em Mecklenburg-Vorpommern, a AfD chegou aos 38,2%, enquanto a CDU obteve um resultado tão baixo que Friedrich Merz não hesitou em classificá-lo como um desastre.

É tentador olhar para estes números apenas através da velha divisão entre esquerda e direita. Seria, contudo, perder uma parte importante do que está a acontecer.

A Alemanha parece estar a viver uma crise de confiança nos partidos que durante décadas constituíram o centro de gravidade da República Federal. CDU, CSU e SPD não desapareceram, obviamente. Continuam a ser máquinas políticas poderosas, com estruturas, militantes, autarcas e uma implantação nacional que os novos partidos dificilmente conseguem reproduzir. Mas existe uma diferença entre continuar a existir e continuar a convencer.

E é aí que começa o problema.

Uma parte crescente do eleitorado alemão parece já não acreditar que os partidos tradicionais conseguem resolver os problemas que reconhece no quotidiano. A economia........

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