(Des)confiança na educação
A educação atravessa um conjunto de desafios difíceis de enfrentar. Alguns são velhos conhecidos. Está constatada a progressiva degradação das condições oferecidas pela carreira docente em Portugal e a consequente baixa atratividade que torna incerta a capacidade de resposta à necessidade de formação de mais 20 mil Professores até 2030, conforme foi reportado no estudo encomendado à NOVA SBE o ano passado.
Outros são recentes e não especificamente portugueses, afetando igualmente o ensino superior. Pense-se na invasão da inteligência artificial generativa e a sua cada vez maior influência na procura da informação, bem como nos efeitos perniciosos que ela poderá gerar no processo de construção de conhecimento, inclusive dos alunos. Ou ainda nas consequências da concentração de poder nas empresas tecnológicas que detêm estes modelos. A atomização da sociedade promovida pelo sujeito agarrado ao telemóvel torna legítimo questionar a possibilidade de um futuro distópico em que a interação em sala de aula fosse substituída por informação feita à medida – e, quem sabe, enviesada e selecionada por dinâmicas de mercado – de um sujeito tornado consumidor.
Para fazer face a estes e outros problemas um dos elementos centrais é a confiança. Alunos e encarregados de educação precisam de confiar no sistema educativo para que ele seja bem-sucedido. A confiança é uma das bases não só da experiência pedagógica na relação professor-aluno como também da responsabilidade que a sociedade deposita na escola. E ela tem de existir, claro está, também no que toca à avaliação. E foi precisamente esse aspeto que foi posto em causa com o malogrado processo de digitalização dos exames nacionais este ano.
Digitalização e........
