Liberdade de escolha
Vinte e quatro anos corresponde ao período, até à data, referente à obrigatoriedade da obra "Memorial de Convento" de José Saramago no programa de Português do 12.° ano, o mais longo em que um livro foi obrigatório. E eis que múltiplas vozes se exaltaram com a mera possibilidade de a obra perder tal estatuto, como se de um crime de lesa-majestade se tratasse.
A pergunta que me ocorre fazer é: porque é que tinha de ser obrigatória? Porque criou um estilo inovador de escrita, abdicando em plena consciência de travessões, inovando na utilização do ponto final e da vírgula, aos quais chamava pomposamente sinais de pausa, para aproximar a palavra escrita ao discurso oral? Em primeiro lugar, parece-me arriscado do ponto de vista pedagógico que a aprendizagem de uma língua se faça através de um estilo tão disruptivo. Para sabermos como desmanchar, primeiro temos de saber como construir. Palavras escritas em maiúscula depois de vírgulas não seguem as regras básicas da........
