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Setembro revela a cidade que construímos

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11.09.2026

Todos os anos acontece o mesmo. Chega setembro, regressam as aulas, regressam as rotinas e regressa também uma sensação coletiva de frustração. As estradas enchem-se, os transportes públicos ficam mais pressionados, os tempos de deslocação aumentam e voltamos a ouvir a mesma explicação: "é o trânsito do regresso às aulas".

Talvez setembro não traga nenhum problema. Talvez apenas revele, de forma mais evidente, a cidade que construímos e as escolhas que fazemos todos os dias.

Quando milhares de automóveis convergem para as escolas ao mesmo tempo, não estamos apenas a assistir a um fenómeno de mobilidade. Estamos a observar o reflexo de décadas de organização urbana centrada no automóvel, onde muitas famílias sentem que têm poucas alternativas para garantir deslocações seguras, eficientes e compatíveis com a sua rotina diária.

O mais curioso é que muitas destas viagens são realizadas por pessoas que partilham exatamente os mesmos destinos, percursos e horários. Continuamos a ter automóveis com um único ocupante em filas intermináveis. Pais que levam os filhos à escola para depois regressarem a casa em teletrabalho. Famílias que efetuam diariamente trajetos curtos que poderiam ser realizados a pé ou de bicicleta, se existissem condições adequadas para o fazer.

Todos somos, de alguma forma, simultaneamente vítimas e parte integrante deste sistema.

A questão que setembro nos obriga a colocar não é se somos a favor ou contra o automóvel. É outra: para quantas viagens o carro continua a ser, hoje, praticamente a única opção confortável e competitiva?

Enquanto a resposta for "para quase todas", o congestionamento que regressa todos os anos continuará a repetir-se.

Uma parte importante da resposta encontra-se na mobilidade escolar. Quando milhares de famílias fazem, à mesma hora, o mesmo percurso entre casa, escola e trabalho, o impacto na rede viária não é marginal. É estrutural. Em Oeiras, cerca de 63% dos alunos deslocam-se para a escola de automóvel, conforme estudo de mobilidade escolar realizado.

Importa dizê-lo de forma clara: as famílias não escolhem o carro por preguiça ou falta de consciência ambiental. Escolhem-no porque, perante as alternativas disponíveis, continua frequentemente a ser a solução mais rápida, mais cómoda e mais previsível.

Mudar esta escolha não é apenas uma questão de comportamento. É, acima de tudo, uma questão de desenho urbano. E essa........

© Jornal de Notícias