A Guerra dos Direitos
Os ventos que vêm de Espanha por estes dias levantam questões que, infelizmente, ninguém quer discutir a sério. Prefere-se o apelo à emoção, cuja eficácia no controlo da narrativa pública é, indubitavelmente, maior. Quem sugere discutir racionalmente é um ignóbil monstro de fígados distorcidos.
Sendo assim, em vez de fazer aqui um apelo à razão (actividade hedionda, própria de pessoas sem empatia e dotadas de malevolência pura), tentarei recorrer à narrativa literária, que é mais emocional.
Maria e João trabalhavam para viver. Ao longo dos anos, na tentativa de melhorar a sua condição, de dar um futuro mais seguro à família que crescia, abdicaram de alguns pequenos luxos, como férias caras e coisa e tal. Quando se sentiram confortáveis, contraíram um empréstimo e compraram um pequeno apartamento para arrendar. Guardando o que sobrava da renda depois de........
