O Rapaz e os seus amigos
O Rapaz fez dois amigos do peito, amigos a valer, no princípio dos anos 80 do século passado, quando andava no 7.º ano. Eram colegas de turma e os três não percebiam nada de Matemática, e também não percebiam nada de outras disciplinas, mas lá se iam aguentando.
Andavam sempre juntos – o Rapaz, o Fernandão e o Júlio – e faziam parte do grupo dos acanhados, dos tímidos, dos que ficavam vermelhos sempre que um professor lhes fazia perguntas ou pedia alguma coisa. Para agravar a situação, o Rapaz tinha um defeito na fala, que levou muitos anos a corrigir. Quando falava, algumas palavras (não todas, mas algumas) como que caíam num lago, emitiam um som de água, de corpo alado a nadar, e isso era motivo de gozo por parte dos colegas e até de alguns professores.
O Fernandão era baixo, carrancudo, escuro e infinitamente triste e muitos tinham medo dele por causa do seu aspeto, ao passo que o Júlio era alto, branco quase albino, mas com o cabelo preto, mesmo preto, e mostrava sempre um leve sorriso, um sorriso permanente e de certa forma pateta. Já o Rapaz era de tamanho vulgar e não tinha........
