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O Comité de Ética: da periferia ao centro da governação hospitalar

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22.08.2026

Os hospitais contemporâneos nunca dispuseram de tantos recursos tecnológicos, conhecimento científico e capacidade de intervenção sobre a vida humana. Paradoxalmente, talvez nunca tenha sido tão difícil decidir bem.

A medicina consegue prolongar a vida, antecipar riscos, tratar doenças anteriormente incuráveis e recorrer a tecnologias de extraordinária complexidade. Porém, o aumento da capacidade técnica não eliminou a incerteza moral. Pelo contrário, ampliou-a. À pergunta “o que podemos fazer?” acrescenta-se, inevitavelmente, uma outra: “o que devemos fazer?”.

É neste espaço que a bioética hospitalar encontra a sua razão de ser.

Durante demasiado tempo, os Comités de Ética foram percecionados como estruturas periféricas, convocadas perante conflitos particularmente difíceis ou associadas sobretudo à emissão de pareceres. Esta conceção tornou-se insuficiente. Num hospital moderno, a ética não é um ornamento humanista colocado à margem da gestão; é uma dimensão da própria qualidade da decisão.

Um hospital é uma organização clínica, científica, administrativa e financeira, mas é também uma........

© JM Madeira