A última conversa com meu pai: uma história de persistência e coragem
“Enfim, a eternidade o transforma em si mesmo.”
(Stephane Mallarmé)
Hoje meu pai faria 85 anos. Lembro-me da última vez que caminhamos juntos: um fim de tarde à beira do lago, logo após uma sessão de quimioterapia. Ele estava incrivelmente bem-disposto, quase alegre, com aquela luz nos olhos verdes que herdara dos ancestrais de Múrcia, na Espanha. Pedi-lhe que me contasse mais uma vez a história do seu vestibular.
Em 1960, o jovem de Mirandópolis chegou à cidade de São Paulo. Tinha 19 anos, era magro, quase imberbe, e trazia no peito um sonho: estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Instalado em um pensionato no Brás e trabalhando como auxiliar de escritório durante o dia, ele contava com........
