Do presidencialismo de coalizão ao judiciarismo de coalizão
Desde a redemocratização, o presidencialismo de coalizão tornou-se o eixo da política brasileira. A fórmula é bem conhecida: uma vez eleito, para garantir governabilidade, o presidente precisa construir maiorias em um Congresso altamente fragmentado – mas unido no apetite por cargos, verbas e espaço político. É o famoso “toma lá, dá cá”.
Durante décadas, o modelo foi visto como um mal necessário: imperfeito, mas necessário em um país continental e diverso. Nos governos de Fernando Henrique Cardoso e nos primeiros dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidencialismo de coalizão mostrou uma eficácia relativa: reformas econômicas e políticas públicas avançaram porque havia uma base parlamentar organizada, ainda que construída na base do fisiologismo.
Ministérios eram loteados, emendas parlamentares se convertiam em moeda de troca e alianças ideologicamente contraditórias eram tratadas como parte do jogo. Não era um modelo virtuoso, mas produzia alguma estabilidade.
Esse equilíbrio começou a ruir quando os defeitos do modelo se tornaram mais visíveis que suas vantagens. A proliferação de partidos sem identidade ideológica aprofundou a lógica do balcão de negócios. A governabilidade passou a depender cada vez menos do debate em torno do interesse público e cada vez mais de negociações orientadas por........
