As polémicas persistentes do futebol mostram por que razão o jornalismo importa
O ano de 2026 estava destinado a ser um grande ano para as manchetes sobre futebol. E, até agora, não tem desiludido, com o Mundial masculino a proporcionar glória e polémica, por vezes em partes iguais. Mas as primeiras páginas e as páginas de desporto têm sido também dominadas por questões fora das quatro linhas e, em particular, pelos atos de quem tem a seu cargo a governação do futebol mundial. Sem jornalismo profissional, só o teríamos sabido quando já fosse tarde demais.
Foi graças a jornalistas, inicialmente dos jornais The Times e Financial Times, que se ficou a conhecer a proposta do presidente da FIFA, Gianni Infantino, para vender o Campeonato do Mundo. Avaliada em 20 mil milhões de dólares, a subsidiária FIFA Forward Enterprise (FFE) previa gerir os direitos comerciais e operacionais de todas as competições da FIFA. Com o objetivo de angariar junto de investidores 20% do valor da empresa (4,2 mil milhões de dólares), o plano teria, na prática, entregado o desporto-rei a interesses privados.
Só um pequeno círculo restrito conhecia a ideia; a FIFA não tinha feito qualquer anúncio público e até alguns dos principais dirigentes da organização só souberam dela pela comunicação social. Poucos dias depois de se tornar pública, e perante a pressão crescente de todos os quadrantes do mundo do futebol (incluindo muitas das próprias federações filiadas na FIFA), o plano foi abandonado.
Mas a história não vai desaparecer.
Abandonado não é o mesmo que enterrado – e também não desapareceram as falhas de governação que tornaram possível uma tentativa tão prejudicial.
Tendo em conta as críticas mais amplas à........
