Mais Polícia Municipal não pode ser sinónimo de menos PSP em Lisboa
Nos últimos meses, o tema da segurança em Lisboa tem-se mantido na agenda, quase sempre depois de um episódio concreto: um tiroteio na Baixa, um reforço de patrulhas numa zona turística, um pedido de mais agentes feito pela Câmara ao Governo. O que fica por dizer, na maior parte das vezes, é a parte estrutural do problema: a cidade tem hoje menos polícia do que tinha há uma dezena e meia de anos, tanto na PSP como na Polícia Municipal (PM) e o remendo usado para tapar uma falta (PM) está a aumentar a outra (PSP).
Os números públicos, ainda que dispersos por várias fontes e declarações - nem sempre consistentes entre si - ao longo dos anos, apontam nesta direção. Em 2010, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP tinha cerca de 8.000 agentes; em 2024, o presidente da Câmara falava já em cerca de 6.700, uma perda próxima dos 1.300 efetivos, isto é: qualquer coisa como 16 a 17 por cento em catorze anos. Do lado da Polícia Municipal, a quebra é ainda mais acentuada: em 2018, o corpo atingiu um máximo histórico de 588 agentes; em 2022 já tinha descido para 452; e no final de 2024 o autarca falava em cerca de 400 efetivos, bem abaixo do quadro autorizado de 600 e a este número há ainda que subtrair o número dos agentes de baixa ou em funções estáticas de secretária. Ou seja: num espaço de poucos anos, a Polícia Municipal........
