Ainda és académico, certo?
Uma das coisas extraordinárias de fazer televisão há quatro anos, de forma consecutiva e quase quotidiana (link), é que ninguém sabe o que eu, ou outros comentadores, cronistas e opinion makers, somos. Lembro, com saudade, o tempo em que a Google, o grande pan-óptico do nosso tempo, achava que eu era jornalista.
Ora, se a própria Google tem dúvidas, é natural que o leitor e os colegas da academia também as tenham. Recordo, com ainda mais saudade, o dia em que, há três meses, uma colega de outra universidade me convidou para apresentar um dos meus últimos trabalhos e rematou com um: «apesar de tudo, ainda és um académico, certo?». Aquele «certo» final, a lançar uma suspeita sobre a minha atividade profissional vinda de alguém da própria área, é a demonstração manifesta do que o espaço mediático faz à academia.
A universidade, os centros de investigação, os departamentos de faculdade, a academia, sempre se viu como a torre de marfim da torre de marfim. Querem outra recordação? Quando comecei a circular mais assiduamente pela academia, há quinze anos, os académicos não partilhavam o seu trabalho. Pior: consideravam uma devassidão a ideia de divulgar o último trabalho publicado numa mailing list ou num post no Facebook (sim, Facebook, na época). As investigações eram publicadas em silêncio, para serem........
