As ingerências na Universidade Nova refletem um mal maior
O que se passa na Universidade Nova não é bonito, não dignifica a instituição, mas é, sobretudo, sintoma de um mal maior que atinge as academias por todo o mundo.
Começo com várias declarações de interesse: tenho muita estima por vários colegas que se candidataram ao cargo de Reitor da NOVA nas últimas eleições; tenho uma relação mais distante com o atual Reitor, que conhecia apenas do tempo em que foi vice-presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia; fui mandatário de uma das listas ao Conselho Geral, em solidariedade com um conjunto de colegas que resistiu, com coragem, ao mais que presumível boicote ao pluralismo; fui diretor de uma unidade orgânica, a FCSH, quando era Reitor o Professor António Rendas, uma das pessoas com quem mais gostei de trabalhar, capaz de ter na NOVA uma postura de liderança construtora de consensos e progresso.
Para quem está distante do que se passa nesta Universidade, a história resume-se facilmente: no ano passado, o Professor Paulo Pereira foi eleito Reitor. Várias pessoas, em que me incluo, ficaram supreendidas com a sua eleição à primeira volta, dada a inusitada apresentação de cinco candidaturas. Havia um sexto candidato que não tinha sido admitido por os estatutos da NOVA requererem que os candidatos a Reitor sejam professores catedráticos. O tribunal ordenou que este candidato fosse readmitido e que o processo eleitoral fosse retomado a partir do momento da sua exclusão. É a partir deste momento que se inicia uma verdadeira novela jurídica que, quanto mais penso no que se passa, se resume a uma tentativa de reverter o resultado da primeira eleição.
Os episódios são mais que muitos. A eleição tentada em várias datas. Candidatos que não se apresentam por não concordarem com a marcação das datas. Tentativas de esticar ao máximo a data da eleição para que o órgão eleitor fosse outro. Paulo Pereira novamente eleito com........
