A LUSA e o alarme que dispara na vigilância da democracia
Um dos principais ingredientes das democracias liberais é a liberdade de imprensa. Sem jornalismo livre e independente, não há escrutínio nem contraditório pleno. Abundam os exemplos de más relações entre políticos, regimes políticos e jornalistas. Nem é preciso referirmo-nos a estados autocráticos ou em que a censura é declarada. Em regimes democráticos, os casos são mais que muitos. Trump destrata e insulta jornalistas a torto e a direito, dizendo de forma clara quais são os canais de televisão que prefere ou até aqueles a que gostaria de vedar o acesso. Por cá, foram amplamente partilhados por vários jornalistas credíveis tentativas de interferência de Sócrates. Em Malta, em 2021, apurou-se responsabilidades políticas no infame assassinato de uma jornalista que conduzia uma investigação sobre corrupção. Por todo o mundo ocidental, os populistas de extrema-direita referem-se à imprensa como “jornalixo”. Basta navegar um pouco pelas redes sociais dos apoiantes do Chega para ver os ataques recorrentes a jornalistas e comentadores ou mesmo a jornais e canais de televisão como um todo. A narrativa do “jornalixo” é útil para quem cresce fortemente apoiado nas campanhas de desinformação e pretende que cada vez mais se leiam cada vez menos jornais, para que as redes sociais – desreguladas e nichos de fomento do descrédito das instituições democráticas e da polarização – se tornem a principal fonte de (des)informação da população.
Os jornalistas têm um papel fundamental na preservação da qualidade das democracias. São, já há tempo, o principal instrumento de escrutínio da atividade dos políticos. É interessante observar como se inverteu o papel de........
