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O dia que descobri que jumentos estão em extinção

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14.04.2026

Fui dormir colunista – já falei aqui que me sinto a própria Carrie Bradshaw latina, né? – e acordei defensora de jumentos que estão à beira da extinção em nome do padrão estético e do skincare e, se você acha isso confuso, vem comigo que vou tentar explicar os motivos que essa pauta, aparentemente aleatória, também deveria te preocupar – e muito!

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Foi através de um convite, desses que chegam como as coisas que parecem pequenas, mas não são: uma menção em meio a uma reunião de pauta sobre qualquer outro assunto e, de repente, nada mais me trazia concentração, eu só pensava: existe uma ONG que defende jumentos brasileiros da extinção.

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Piadas à parte (sim, eu também fiquei tentada a dizer: como, se a população de ‘burros’ só aumenta, vide nossos Congresso e Senado, etc), mas, existe sim. É a The Donkey Sanctuary – confesso que o nome me traz um quentinho no coração toda vez que leio ou repito – e, movida pela curiosidade jornalística (obrigada, profissão, por me lapidar nisso), oscilei entre aquele leve “será?”. Porque, né, entre festivais literários, livros e crônicas, como é que eu ia parar ali, no meio de uma discussão sobre asininos?

Aceitei. E foi aí que o mundo virou um pouco. Comecei achando que ia escrever um texto técnico, desses que a gente resolve com uma boa apuração, duas ligações e um café. Mas o que veio foi um mergulho. E não só em dados – em indignação.

A história começa com um número: 78 mil jumentos no Brasil. Bonito, redondo, até reconfortante. Um número que, se você lê rápido, dá a sensação de abundância. Tá tudo bem, pensamos. Tem jumento suficiente. Mas não tem.

O número veio de um site chamado World Population Review, que, descobri depois, começou como um blog e hoje mistura estatísticas sérias com listas curiosas tipo “as bandeiras mais roxas do mundo”. E o problema não é nem existir esse tipo de plataforma. O problema é quando um dado frágil ganha status de verdade conveniente. Porque, enquanto isso, cientistas, pesquisadores e organizações estão gritando outra coisa.

No meio da........

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