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Quando o Evangelho julga a própria Igreja

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12.09.2026

Há uma tentação subtil em todas as instituições que se sabem portadoras de uma mensagem moral: aplicar aos outros os critérios que proclamam e reservar para si uma zona de exceção. Também a Igreja conhece este risco. Por isso, uma das afirmações mais exigentes da Magnifica Humanitas talvez seja esta: a Doutrina Social da Igreja deve constituir «um exame de consciência para a Igreja» (n. 86).

A frase altera a direção habitual do olhar. Aquilo que parecia uma janela aberta sobre o mundo transforma-se também em espelho. Se a Igreja fala de dignidade, participação, justiça, transparência ou bem comum, não pode tratar essas palavras apenas como princípios destinados à política, à economia ou às empresas. O Evangelho não concede imunidade institucional a quem o anuncia. Quanto mais alta é a palavra proclamada, maior é o dever de lhe dar corpo.

É aqui que se decide uma parte da credibilidade cristã. Não porque a Igreja tenha de se apresentar como comunidade sem........

© Diário do Minho