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Do 'drone' à soberania tecnológica: por que Angola precisa de uma política nacional de sistemas não-tripulados

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24.08.2026

A discussão sobre a criação de uma indústria angolana de drones merece ser ampliada. Mais do que defender a instalação de fábricas para produzir aeronaves não-tripuladas, Angola deveria começar a discutir uma questão de maior alcance estratégico: a criação de uma política nacional de sistemas não-tripulados, integrada na estratégia de Defesa, segurança, diversificação económica, ciência, tecnologia e política espacial do Estado Angolano.Esta distinção não é meramente semântica. Ela traduz uma mudança de paradigma.O drone é apenas a componente mais visível de um ecossistema tecnológico que envolve sensores, Inteligência Artificial, sistemas de navegação, telecomunicações, computação, análise de dados, cartografia, cibersegurança, robótica e observação da Terra. Quem domina apenas a plataforma física controla uma pequena parte da cadeia de valor. Quem domina os dados, o software, os sensores, os sistemas de comando e a capacidade de integrar essas tecnologias possui uma capacidade estratégica substancialmente superior.É neste ponto que Angola deveria concentrar a sua atenção.O drone deixou de ser apenas uma aeronaveDurante muito tempo, os drones foram associados sobretudo ao domínio militar. Essa percepção tornou-se insuficiente.Actualmente, os sistemas não-tripulados constituem instrumentos de vigilância fronteiriça, monitorização marítima, agricultura de precisão, mineração, protecção ambiental, logística, inspecção de infra-estruturas, cartografia, resposta a catástrofes e observação da Terra.A transformação é profunda porque o verdadeiro valor do sistema não está necessariamente no equipamento que voa, mas na informação que consegue recolher, processar e transformar em decisão.Um drone que sobrevoa uma determinada área é apenas um sensor móvel. O seu valor estratégico aumenta quando a informação recolhida é integrada com imagens de satélite, radares, sistemas de informação geográfica, Inteligência Artificial e centros de comando.Por outras palavras, o poder não está apenas em voar; está em ver, interpretar e decidir.É precisamente por isso que a discussão sobre drones deve ser inserida no debate mais amplo sobre soberania tecnológica.

Angola tem um problema territorial que exige tecnologia

A geografia angolana é, por si só, um argumento para uma política nacional de sistemas não-tripulados.Angola possui um território continental extenso, fronteiras terrestres com três Estados – República Democrática do Congo, República da Zâmbia e Namíbia – e uma extensa fachada atlântica. Controlar permanentemente estes espaços através, exclusivamente, de meios convencionais representa um esforço financeiro, logístico e humano considerável.A questão não consiste em substituir soldados, polícias, marinheiros ou agentes de fiscalização por máquinas. Essa seria uma interpretação simplista. A questão consiste em multiplicar a capacidade operacional do Estado através da tecnologia.Um sistema não-tripulado pode patrulhar durante longos períodos, operar em áreas remotas, recolher imagens, identificar alterações no terreno e transmitir informação para centros de comando. Pode ajudar a detectar actividades ilícitas e permitir que os meios humanos sejam mobilizados precisamente onde são necessários.Assim, a tecnologia não elimina o Estado. Aumenta o alcance do Estado. Esta diferença é fundamental.

A fronteira marítima talvez seja a maior oportunidade

A dimensão marítima deveria ocupar um lugar prioritário numa política nacional desta natureza. Angola é um Estado atlântico, produtor de hidrocarbonetos, possuidor de recursos pesqueiros e com importantes infra-estruturas energéticas offshore. A protecção desse espaço não é apenas uma questão militar. É também uma questão económica.Pesca ilegal, tráfico, poluição, exploração ilícita de recursos e ameaças às infra-estruturas marítimas representam custos económicos e riscos para a soberania.Neste contexto, sistemas não-tripulados de vigilância marítima poderiam funcionar em articulação com radares costeiros, sistemas de identificação........

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