“O destino dos livros que ninguém...”
Em todas as bibliotecas existem zonas de sombra. Não são lugares proibidos, mas espaços pouco visitados, prateleiras altas ou recantos onde repousam livros que deixaram de ser procurados. Há vinte, trinta anos que ninguém os requisita. Não entram em listas de leitura, não figuram em programas escolares, não surgem em pesquisas apressadas. Permanecem ali, silenciosos, como se o tempo tivesse passado por eles sem se deter.
Foram adquiridos com propósito. Um dia justificaram investimento público, escolha criteriosa, expectativa de utilidade. Responderam a necessidades concretas de outras épocas: manuais técnicos de profissões entretanto desaparecidas, estudos científicos ultrapassados, ensaios políticos de contextos que já não existem, enciclopédias que prometiam conter o mundo inteiro em volumes pesados e hoje caberiam num telemóvel. Cada um desses livros foi, no seu tempo, resposta a uma necessidade.
O problema é que as bibliotecas, ao contrário da memória, têm limites físicos. As estantes enchem-se, os depósitos esgotam-se, e todos os anos chegam novos livros, novas áreas, novas linguagens, novos suportes. O espaço, que........
