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“A biblioteca pública e a...”

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05.03.2026

As bibliotecas públicas portuguesas viveram, nas últimas décadas, um processo de renovação que importa reconhecer. Modernizaram espaços, diversificaram serviços, aproximaram-se de públicos que durante muito tempo permaneceram afastados e afirmaram-se como equipamentos culturais de proximidade. Esse caminho é meritório e deve ser valorizado. A biblioteca contemporânea não é um armazém de livros, nem um espaço fechado sobre o silêncio absoluto. É um lugar vivo, que respira com a comunidade que serve. Contudo, toda a evolução exige reflexão. A abertura à comunidade não pode significar diluição da identidade. Nos últimos anos tem-se assistido, em algumas bibliotecas, à proliferação de atividades cuja relação com o livro, com a leitura e com a literacia é ténue ou inexistente. Fala-se de grupos de tricô, de costura, de trabalhos manuais ou de encontros essencialmente recreativos que podem decorrer em múltiplos outros espaços municipais igualmente vocacionados para o convívio e a ocupação de tempos livres. Não está em causa o valor humano dessas práticas. O convívio é necessário, a partilha é importante, o combate ao isolamento é uma prioridade social. O que se questiona é se cabe à biblioteca pública assumir indistintamente todas essas funções quando possui uma missão própria, clara e historicamente construída. O Manifesto da Biblioteca Pública aprovado pela UNESCO reafirma que a biblioteca é........

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