Ideias insepultas
Hoje seria dia de realizar a missa de sétimo dia referente à morte de um dos mais ilustres documentaristas do mundo: o chileno Patricio Guzmán, morto aos 85 anos, passada a vida dedicada a esclarecer nuances nas mortes dos opositores a regimes ditatoriais. Muito acima do embate direto e da defesa apaixonada por causas políticas, Guzmán se expressou no campo poético, numa fase mais contemporânea — na qual brindou espectadores com filmes como Nostalgia da luz (2010) —, justo a partir do exame de covas ou da falta delas; tudo associado a crimes da ditadura.
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Em Nostalgia, ele pisa o deserto para perseguir trilha do pó, do luto e da pobreza que arrasta as Mulheres de Calama, afundadas em areia, ao revolverem indícios dos corpos de entes mortos em duros regimes. Nada mais coerente para o diretor que trouxe à luz o monumental filme de denúncia da estruturação da ditadura no Chile........
