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Eleições de 2026 – o Brasil à beira do precipício outra vez

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04.09.2026

Este economista que vos escreve não escapa da polarização política generalizada que marca o Brasil dos últimos tempos. Do centro para direita, é provável que poucas pessoas me leiam com o coração aberto. Assim, devo supor que o leitor ou leitora que me lê agora é de esquerda ou centro-esquerda. Hoje quero conversar com vocês direta e confidencialmente sobre a emergência nacional que enfrentamos nas eleições de outubro.

Portanto, se houver algum bolsonarista extraviado por esta página, peço a ele a gentileza de se retirar imediatamente.

E prossigo. Creio que podemos dividir a esquerda brasileira atual em três grandes blocos. Um primeiro é a esquerda lulista, totalmente fiel ao presidente da República. Não faz críticas a ele e rejeita liminarmente quem as faça, pela direita e mesmo pela esquerda. Tem ódio visceral ao “fogo amigo”, que considera inoportuno, quase uma traição.

O segundo bloco é à esquerda radical, geralmente marxista ou quase marxista. Revoltada com o Lula 3, declara enfaticamente que ficará neutra em 2026. Os mais extremados chamam o presidente de “pelego”, “neoliberal” e “traidor”.

O terceiro é a esquerda crítica, que também está desiludida com o Lula 3. Vinha fazendo críticas ao governo, e não renega essas críticas, mas vai votar pela reeleição do presidente.

Faço parte do terceiro. E queria me dirigir hoje sobretudo ao segundo bloco.

Amigos da esquerda radical, faço um apelo: não se deve perder de vista que a eleição de 2026 representa um risco existencial para o Brasil, particularmente por sua dimensão internacional. Não é a primeira vez que estamos à beira de um precipício, verdade. Estávamos assim em 2018 e, de novo, em 2022. Em 2018, Jair Bolsonaro foi eleito, o que levou a tremendo retrocesso no País em inúmeras áreas. Em 2022, Lula derrotou Bolsonaro por margem apertada, o que nos permitiu interromper a destruição e reiniciar a reconstrução do Brasil.

Temos, portanto, experiência com precipícios. Mas........

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