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A conta do ajuste fiscal e o nosso papel na eleição

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16.10.2026

Este é provavelmente o último artigo que escreverei antes do segundo turno da eleição presidencial. É, repito, a eleição mais arriscada das nossas vidas. Já tentei explicar por que em artigos e entrevistas anteriores. 

Hoje, queria fazer algo diferente – falar do papel de cada um de nós na eleição. Quem somos “nós”? Acredito que a maioria esmagadora dos que estão lendo este artigo seja de esquerda ou centro-esquerda. E que a maioria vote em Lula. É com vocês que quero conversar hoje. 

Um parêntese: se houver, por um acaso, um bolsonarista arraigado perdido por esta página, peço gentilmente que se retire. Trata-se de uma conversa estritamente particular.

Continuo. As pessoas que costumam me ler estão conscientes do desastre que representaria um vitória de Flávio Bolsonaro e a volta da extrema-direita ao comando do Executivo, especialmente depois do Congresso que resultou do primeiro turno. O risco é multidimensional – o bolsonarismo ameaça a soberania nacional, a democracia e o povo brasileiro. 

Sob um eventual governo Flávio Bolsonaro, quem paga a conta do ajuste fiscal?

Antes de falar do nosso papel na última semana da campanha, gostaria de abordar os efeitos sociais nocivos de certas políticas que serão provavelmente adotas em caso da volta do bolsonarismo à Presidência. 

Pode-se presumir que o ajuste fiscal programado pelas forças que apoiam Flávio Bolsonaro recairá principalmente, talvez exclusivamente, sobre os pobres e a classe média baixa. O corte de gastos atingirá, tudo indica, os programas sociais, a educação e a saúde. Acabará a política de aumento real do salário mínimo. As pensões e aposentadorias serão desvinculadas do salário mínimo e podem sofrer redução em termos reais. 

O candidato não explicita esses pontos no seu programa de governo e até nega que recorrerá a esse tipo de medida. Mas quem acredita nas palavras de um mentiroso contumaz? Os seus assessores econômicos falam, por exemplo, em economizar com medidas como  a diminuição do número de ministérios, reforma administrativa e cortes nos supersalários. Ainda que defensáveis, essas providências não serão nem remotamente suficientes para........

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