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Da pólis ao algoritmo: a condição impolítica na sociedade de serviços hiperconectada

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Os problemas contemporâneos da política não podem ser explicados apenas pela desconfiança nos partidos, pelo desgaste das ideologias ou pela ascensão das redes sociais. O que está em curso é uma transformação histórica mais profunda, marcada pela passagem de uma sociedade organizada em torno da produção material, território e representação para outra estruturada por fluxos de dados, serviços digitais, plataformas e conexões permanentes.

A política continua existindo, mas já não consegue absorver, coordenar ou representar integralmente a vida social. Do ponto de vista histórico, a política ocidental resulta da herança de três grandes configurações: a pólis participativa dos gregos, o Estado soberano westfaliano e a democracia nacional de massas da era industrial.

Essa arquitetura política esteve profundamente associada a determinadas formas de organização social, inicialmente agrárias e, posteriormente, urbanas e industriais. As classes sociais possuíam relativa estabilidade, com o trabalho crescentemente concentrado em fábricas e escritórios, e partidos de esquerda e direita tratando de representar interesses sociais identificáveis por meio de sindicatos, parlamentos e Estados nacionais que funcionavam como mediadores centrais da vida coletiva.

Da pólis grega ao Estado nacional moderno, a tradição ocidental concebeu a política como espaço privilegiado de participação na construção da ordem comum. Em Platão, por exemplo, a política buscava a justiça; em Maquiavel, centralizava-se na eficácia do exercício do poder; enquanto Hobbes a fundava na segurança garantida pelo Estado soberano.

A partir da Paz de Westfália, em 1648, o Estado moderno se consolida pelos princípios da soberania territorial e da não intervenção externa, responsáveis pela sustentação do sistema interestatal que substituiu progressivamente a ordem medieval assentada na pretensão de uma autoridade universal da Igreja Católica, representada pelo papado. Mais tarde, com a Revolução Francesa de 1789, que afirmou a soberania popular, a política passou a organizar a cidadania, a representação e os grandes projetos ideológicos da modernidade.

Por quase duzentos anos, essa arquitetura foi reforçada pela sociedade industrial. O conflito entre capital e trabalho estruturou partidos, sindicatos, parlamentos e governos. Esquerda e direita não constituíam apenas rótulos eleitorais, mas formas distintas de interpretar o mundo e mobilizar classes e frações de classe em torno da disputa por projetos........

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