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O método da Lava Jato está de volta: a crise no STF e a guerra híbrida contra o Brasil

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02.09.2026

A recente crise desencadeada no STF não pode ser compreendida como simples desavença entre André Mendonça e Alexandre de Moraes, nem como mais um capítulo do caso Banco Master. O que está em jogo é muito maior: novamente, uma investigação judicial ainda inconclusa é lançada ao espaço público, convertida em espetáculo e utilizada para produzir condenações políticas antes que o devido processo legal permita estabelecer responsabilidades. O Brasil conhece esse método. Foi o método da Lava Jato.

É preciso separar duas questões desde o início. As mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro são fatos que merecem esclarecimento. Se houver indícios de ilícitos, devem ser investigados. Se houver crimes, devem ser provados e punidos. A defesa da democracia não significa blindagem de autoridades, muito menos de ministros do Supremo.

Outra coisa, inteiramente diferente, é transformar fragmentos de uma investigação ainda em curso em matéria-prima para um julgamento público antecipado, deslocando para jornais, redes sociais e campanhas eleitorais aquilo que deveria ser esclarecido segundo as regras do processo. Foi exatamente essa fronteira que a Lava Jato destruiu.

O lavajatismo nunca foi apenas um conjunto de abusos cometidos por determinados procuradores e por um juiz parcial. Foi um método de exercício de poder: vazamentos seletivos, levantamento oportunista de sigilos, fragmentação de investigações, divulgação de elementos sem contexto, sincronização entre atos processuais e cobertura jornalística e, sobretudo, transferência do julgamento dos autos para a opinião pública. Primeiro produz-se a condenação social. Depois, o processo judicial tenta alcançá-la.

A sequência dos acontecimentos no STF deve ser observada sob essa perspectiva. André Mendonça determinou à Polícia Federal a elaboração, em prazo de 72 horas, de relatório específico sobre referências a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues encontradas no material apreendido na investigação do Banco Master. O material foi destacado, remetido à Procuradoria-Geral da República e, antes de qualquer conclusão sobre eventuais responsabilidades, tornado público. Em poucas horas, a suspeita havia se transformado em fato político nacional.

Esse é o ponto decisivo. O tempo do processo é necessariamente mais lento que o tempo das redes. O processo exige investigação, contexto, contraditório, defesa e prova. O sistema informacional exige novidade, impacto e culpados. Quando uma investigação é lançada prematuramente nessa máquina, a verdade processual perde a corrida antes mesmo de entrar em campo. Foi assim na Lava Jato. Prisões, conduções coercitivas, delações e vazamentos eram convertidos em capítulos sucessivos de uma narrativa pública na qual a presunção de inocência se tornava praticamente irrelevante. A espetacularização não era um efeito colateral do processo, mas tornou-se parte de sua própria dinâmica.

O resultado foi a criação de uma jurisdição paralela, exercida pela opinião pública e alimentada seletivamente por informações produzidas dentro........

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