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Aos 20 anos, BRICS avança como pilar do mundo multipolar

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Por José Reinaldo Carvalho – O BRICS chega aos 20 anos ampliando a força do Sul Global contra o unilateralismo, o protecionismo e o domínio ocidental sobre a governança mundial. Consolida-se como pilar do incontornável mundo multipolar. A 18ª Cúpula do bloco, realizada em Nova Déli neste fim de semana, 12 e 13 de setembro, marca uma virada histórica: economias antes tratadas como periferia passaram a disputar poder, recursos e capacidade de decisão no centro do sistema internacional.

A Declaração de Nova Déli, aprovada neste sábado (12), mostra que o BRICS já não aceita ocupar uma posição subordinada nas instituições criadas sob hegemonia dos Estados Unidos e de seus aliados. O documento exige reformas na ONU, no Fundo Monetário Internacional, no Banco Mundial e na Organização Mundial do Comércio, além de condenar sanções unilaterais, barreiras comerciais e práticas coercitivas incompatíveis com o direito internacional.

A reunião ocorre sob o tema “Construindo resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade”. A proposta expressa uma necessidade concreta: criar instrumentos capazes de proteger os países em desenvolvimento contra crises, guerras comerciais, chantagens financeiras e interrupções deliberadas nas cadeias de suprimento.

A transformação é evidente. O BRICS deixou de ser uma sigla cunhada nos escritórios do mercado financeiro para designar economias promissoras e tornou-se uma força política organizada. O que nasceu como categoria de investimento foi apropriado pelos próprios países emergentes e convertido em plataforma de soberania, cooperação e contestação à velha hierarquia internacional.

Da periferia econômica à disputa pela distribuição do poder mundial

A articulação política entre Brasil, Rússia, Índia e China começou em 2006. A primeira cúpula de chefes de Estado e de governo foi realizada em 2009, e a entrada da África do Sul, em 2011, acrescentou ao grupo uma dimensão continental decisiva.

Duas décadas depois, o BRICS ampliado reúne países com enorme peso demográfico, energético, territorial, agrícola, industrial e tecnológico. A expansão levou para dentro do mecanismo novas regiões e fortaleceu sua capacidade de falar em nome de demandas históricas do Sul Global.

Esse crescimento não ocorreu por acaso. Ele expressa o desgaste de uma ordem na qual poucas potências estabelecem as regras, controlam os principais organismos financeiros e recorrem a tarifas, bloqueios e sanções sempre que seus interesses são contrariados.

A atratividade do BRICS está justamente em oferecer um espaço de articulação sem exigir submissão política, alinhamento militar ou abandono das estratégias nacionais de desenvolvimento. Seus princípios de soberania, igualdade, inclusão, abertura e benefícios compartilhados contrastam com as relações assimétricas mantidas durante décadas pelas antigas potências coloniais.

O grupo não precisa reproduzir o modelo dos blocos ocidentais, estruturados em torno de uma potência central e de aliados subordinados. Sua força pode vir de outra lógica: a convivência entre diferentes sistemas políticos e trajetórias históricas, unidos pela recusa em aceitar que um pequeno núcleo de países continue determinando sozinho os rumos da economia mundial.

A diversidade como arma contra o domínio imperialista 

A diversidade do BRICS costuma ser apresentada por seus críticos como fraqueza. Na realidade, ela pode ser uma de suas principais vantagens. O bloco mostra que a cooperação internacional não exige uniformidade ideológica nem obediência a um centro de comando.

Seus membros possuem interesses nacionais próprios, mantêm alianças diferentes e nem sempre concordam sobre as crises internacionais. O consenso que sustenta o agrupamento está em outro ponto: nenhum país deve ser obrigado a renunciar à sua soberania para participar da economia global.

Essa concepção desafia diretamente a prática imperial de dividir o mundo entre aliados obedientes, concorrentes a serem contidos e adversários a serem punidos. Em lugar da disciplina imposta por sanções ou intervenções, o BRICS propõe negociação entre Estados soberanos.

O avanço do grupo demonstra que muitos países não aceitam mais escolher entre isolamento e submissão. Eles procuram diversificar parceiros, ampliar sua autonomia e participar da elaboração das regras que afetam suas economias, seus recursos naturais e suas populações.

A expansão, no entanto, também cobra um preço. Quanto maior e mais heterogêneo o BRICS, mais difícil será construir decisões comuns. A resposta não pode ser abandonar a diversidade, mas criar instituições capazes de transformá-la em ação coordenada.

Governança mundial em disputa

A Declaração de Nova Déli não pede concessões marginais. Ela questiona a própria distribuição do poder mundial. O documento defende um sistema multilateral mais representativo e reivindica maior participação das economias emergentes e dos países em desenvolvimento nos organismos internacionais.

A estrutura atual ainda carrega as marcas do equilíbrio de forças estabelecido depois da Segunda Guerra Mundial. Desde então, o centro da produção,........

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