Conclusão inescapável: o motor da dívida pública brasileira é a capitalização dos juros
“Não existe explicação econômica; a causa fundamental dos altos juros no Brasil é o poder de rentistas e financistas” (Luiz Carlos Bresser-Pereira, Valor Econômico, 06/03/2017).
“Não existe explicação econômica; a causa fundamental dos altos juros no Brasil é o poder de rentistas e financistas” (Luiz Carlos Bresser-Pereira, Valor Econômico, 06/03/2017).
O serviço da Dívida Pública Federal (DPF) — juros mais amortizações — somou cerca de R$ 2,85 trilhões nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, último período com dados oficiais publicados pelo Tesouro Nacional (Relatório Mensal da Dívida). Desse total, R$ 1,02 trilhão foram juros apropriados e R$ 1,82 trilhão foram resgates de principal. As amortizações são em grande parte refinanciadas: as emissões no período somaram R$ 1,95 trilhão, deixando emissão líquida de apenas R$ 124,6 bilhões — o estoque da dívida cresceu R$ 1.147,7 bilhões no período, dos quais R$ 1.023,1 bilhões por incorporação de juros.
No mesmo período, o Brasil gastou cerca de R$ 1,26 trilhão com previdência social (RGPS e RPPS de servidores civis e militares). O cálculo usa a mesma janela e o mesmo critério do levantamento da dívida: últimos 12 meses até agosto último, a partir dos boletins oficiais do Tesouro (RTN). O serviço da dívida (R$ 2,85 tri) é mais que o dobro da despesa com previdência social, a segunda maior do orçamento federal.
Um detalhe importante: não é que os gastos com a dívida nos últimos 12 meses tenham sido um ponto fora da curva. A primazia dos gastos com a dívida, em detrimento de todos os gastos primários fundamentais para o país, vem de décadas. O gráfico abaixo, publicado pela Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), mostra essa evolução em 25 anos. Nesse período, dois tipos de gastos mudaram significativamente de patamar: juros/amortizações da dívida pública e previdência social.
Na metodologia utilizada pela ACD para o levantamento dos gastos com o serviço da dívida pública brasileira, são somadas duas rubricas do orçamento federal executado: “Juros e Encargos da Dívida” e “Amortização/Refinanciamento da Dívida”. Os críticos afirmam que essa soma é um erro conceitual ou, em hipótese ainda pior, uma posição adotada de má-fé. Nessa perspectiva, amortização não é custo e rolagem não é gasto líquido. Somar tudo seria “contar duas vezes” o mesmo gasto. Abaixo, um resumo das principais críticas:
Amortização não é custo, mas devolução do principal
Vários economistas,........
