Lula deve participar do debate da Globo?
No início desta campanha eleitoral, manifestei-me contrariamente à participação de Lula nos debates do primeiro turno. Havia razões para isso. Presidente da República, à frente das pesquisas e com uma administração para defender, Lula correria o risco de entrar numa arena em que praticamente todos os adversários teriam nele o alvo principal.
Debate eleitoral não é entrevista. Tampouco é o ambiente ideal para discutir questões complexas. É uma disputa de frases curtas, interrupções, provocações e imagens destinadas a circular nas redes sociais.
Mas política exige a capacidade de olhar para a realidade quando a realidade muda.
A possibilidade de Lula comparecer ao debate da TV Globo, marcado para 1º de outubro, três dias antes da eleição, precisa ser analisada à luz de um dado que o sociólogo e especialista em pesquisas Marcos Coimbra vem destacando: há uma quantidade excepcionalmente elevada de eleitores que, na pesquisa espontânea, ainda não indicam um candidato à Presidência.
O Datafolha realizado entre 8 e 10 de setembro ajuda a dimensionar o fenômeno. Na pesquisa estimulada, apenas 4% apareciam como indecisos. Mas, quando os entrevistadores não apresentavam os nomes dos candidatos, 23% não sabiam em quem votar. Entre as mulheres, eram 29%; entre os jovens de 16 a 24 anos, 30%.
É um contingente enorme numa eleição disputada.
Isso significa que a reta final pode ter um peso maior do que normalmente teria. E o debate da Globo será o último grande acontecimento eleitoral transmitido para uma audiência nacional antes da abertura das urnas.
Há ainda uma segunda mudança importante.
Flávio Bolsonaro chega........
