Agências norte-americanas e ascensão do neoliberalismo
Do a terra é redonda
1.
Confesso: esse mergulho no documentário produzido por Bob Fernandes, com as entrevistas, deixam mais perguntas que certezas em meu espírito, dúvidas, muitas, e eu não vou respondê-las – seria pretensioso e arriscado. E me alegro: a dúvida é fonte de enriquecimento. As dúvidas, minhas. Nem de Bob, nem das entrevistadas ou entrevistados. Certezas, muitas vezes, congelam o conhecimento.
Todo o trabalho jornalístico de Bob Fernandes, nesse caso, envolve a tentativa de vasculhar como o imperialismo trabalha para capturar corações e mentes mundo afora, especialmente, aqui, no continente latino-americano. Capturar corações e mentes de modo a garantir o domínio do neoliberalismo.
Sobretudo, nesse trabalho, enfrentar, e nós já falamos disso em capítulos anteriores dessa série, a ascensão das forças políticas reformistas, progressistas e de esquerda na América Latina, a chamada “onda rosa”, cujo início poderíamos datar em 1999, com a ascensão de Hugo Chávez. Curioso, isso: a virada da política do império, de certo modo uma virada, se dá agora tendo a Venezuela como foco.
O sequestro do presidente Nicolás Maduro e da mulher dele, Cília Flores, inaugura uma nova forma de atuação dos EUA, uma espécie de pirataria, infensa a quaisquer normas internacionais, e creio ter dito isso no último capítulo. Não digo quanto a agressão a países, prática comum do império norte-americano, mas à prática de um terrorismo-pirata, embora, com traços distintos, tenha acontecido também com o Panamá.
Digo dessa nova fase para seguir adiante nessa tentativa de revelar o documentário de Bob Fernandes. A atitude violenta dos EUA não deixa de lado todo o trabalho de construção política, ideológica, cultural da principal nação imperialista dos dias atuais. Sempre foi assim. E nessa quadra histórica, há uma guerra incessante de discursos.
Até porque, Donald Trump trabalha com o imprevisto, e não por que seja tresloucado. Fala em atacar o México, num dia. A Colômbia, noutro. Em seguida, vai anexar a Groelândia. Depois, sufocar Cuba. Não o fará. Ao menos não pode atacar, realizar atos terroristas em todos esses países. Nas últimas horas, a ideia fixa é a Groelândia.
O discurso aparentemente desencontrado dele vai naturalizando possíveis novas ações de impacto – a mídia empresarial naturaliza tudo isso. Donald Trump parece se divertir ao deixar a mídia empresarial à beira de um ataque de nervos. Quer apoiá-lo, está evidente, mas ele a desconcerta, e ela não saber como agir em algumas situações, sobretudo porque ele faz disparos a cada minuto.
2.
Ingressamos, com ele, numa era de absoluta incerteza, salvo a de que o imperialismo continua imperialismo,........
