Mano Brown é mano, mas de quem?
Mano Brown criticando Lula. Sério mesmo? Criticar Lula é direito de qualquer cidadão, inclusive de quem já o apoiou. O problema não é esse. O problema é o momento.
O Brasil entra na reta decisiva de uma eleição que pode definir não apenas quem ocupará o Palácio do Planalto, mas que projeto de país prevalecerá nos próximos anos. A disputa está apertada: pesquisas recentes mostram Lula e Flávio Bolsonaro separados por margens estreitas, com levantamentos registrando empate técnico e até vantagem numérica de Flávio dentro da margem de erro.
É nesse cenário que a pergunta precisa ser feita sem delicadeza excessiva: Mano Brown está servindo a quem? Ao povo brasileiro? À periferia? Aos trabalhadores? Ou sua crítica a Lula, independentemente da intenção, termina fortalecendo o campo político que pode levar Flávio Bolsonaro à Presidência? Não estou dizendo que Mano Brown queira eleger Flávio. Não tenho como saber disso e seria intelectualmente desonesto atribuir-lhe uma intenção que ele não declarou. Estou perguntando outra coisa: quem se beneficia politicamente daquilo que Mano Brown está dizendo?
E isso importa porque a disputa não é apenas entre dois homens. Há projetos diferentes de política externa, de soberania e de relação com as grandes potências. Flávio Bolsonaro já tomou iniciativas diretamente relacionadas à política americana e chegou a enviar a Donald Trump um ofício pedindo que as tarifas contra produtos brasileiros fossem adiadas até depois das eleições. Também declarou que, se eleito, pretende estabelecer parcerias estratégicas de longo prazo com os Estados Unidos na área de terras raras e minerais críticos. São fatos. O resto é interpretação política, e cada brasileiro terá de fazer a sua.
Mas é justamente aí que a coisa fica séria. Porque soberania não é uma palavra bonita para ser pronunciada em palanque e esquecida quando aparece um cheque estrangeiro. O Brasil possui riquezas estratégicas, mercado interno, território, água, energia, alimentos, biodiversidade e minerais críticos que interessam às grandes potências. O governo Lula acaba de sancionar uma política nacional para minerais críticos e estratégicos que cria mecanismos........
