O despertar do instinto: onde o meu quintal redime o caos
O sol de hoje bate no meu terreiro com uma clareza que o filme A Última Noite jamais conseguiria capturar em sua fotografia pálida e aristocrática de fim de mundo. Enquanto o longa de Camille Griffin se sufoca tentando higienizar o apocalipse com vinhos caros e diálogos polidos, o meu quintal transborda uma vitalidade bruta. Aqui, a linhagem espiritual do Galo Coc e da galinha Ocarina ainda reverbera no ciscado das aves atuais; uma conexão que dá o sentido real ao meu chão. Coc e Ocarina, meus companheiros de infância, foram os primeiros a me ensinar: a vida não espera permissão para acontecer.
Ao ver minhas galinhas hoje, percebo que elas carregam essa mesma chama ancestral que ignora a finitude humana e as neuroses do mundo moderno. Nesse cenário de puro instinto, surge Carlota, minha buldogue francês, que entra em êxtase no exato momento em que vou alimentar o bando. Para ela, aquele pedaço de vegetal encarna o que Lacan chamaria de gozo absoluto — o desejo que não conhece........
