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Esperidião Amin e o perdão eterno aos inimigos da democracia

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12.01.2026

O senador Esperidião Amin protocolou, em 8 de janeiro de 2026, um projeto de lei que propõe anistia ampla aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. A data não é irrelevante. Além de ser uma resposta imediata ao veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, ela reafirma a tradição dos defensores da ditadura militar de perdoar seus agentes, dando-lhes sobrevida.

O projeto apresentado por Amin não se restringe a atos de vandalismo ou de depredação. O texto alcança cadeias de apoio político, logístico e financeiro, além de manifestações públicas e publicações nas redes sociais associadas aos eventos golpistas. Na prática, busca neutralizar decisões judiciais que responsabilizaram autores materiais e articuladores do ataque às sedes dos Três Poderes. A lógica é conhecida: quando a democracia reage, propõe-se o esquecimento do golpe.

A carreira de Esperidião Amin não antecede o regime militar. Ela nasce, se desenvolve e se consolida dentro do arranjo institucional da ditadura. No final dos anos 1960 e ao longo da década de 1970, Amin ocupou cargos administrativos e de confiança no Executivo catarinense, em um contexto de supressão das liberdades políticas, censura à imprensa e perseguição sistemática a opositores.

O ponto central desse percurso ocorreu entre 1975 e 1978, quando Amin se tornou prefeito de Florianópolis por nomeação, indicado pelo então governador Antônio Carlos Konder Reis. Não houve eleição direta. À época, capitais estaduais eram tratadas como áreas sensíveis, submetidas a um sistema de tutela política que afastava a soberania popular. A escolha de prefeitos por nomeação não era um detalhe administrativo,........

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