O adepto no centro do jogo
Num momento em que se discutem os pressupostos para a alienação dos direitos audiovisuais da Liga portuguesa, há uma dimensão do ecossistema do futebol nacional que merece particular reflexão. A relação, paradoxalmente frágil, entre a extraordinária popularidade da modalidade em Portugal e a mobilização de público para os estádios.
Portugal é um país que segue apaixonadamente o futebol. Jogadores, treinadores, SAD´s, comentadores e toda uma indústria gravitam em torno de um fenómeno com inequívoco peso económico, social e cultural. Ainda assim, os estádios continuam longe de refletir essa comunhão.
Na temporada 2025/26, a Liga Portugal registou uma média de 11.781 espectadores por jogo, num total de 2,96 milhões em 306 partidas, abaixo dos 12.295 da época anterior. A comparação com o contexto internacional torna o retrato ainda mais desconfortável: o Championship inglês, equivalente à nossa Liga 2, ultrapassou os 22 mil espectadores por jogo, enquanto a League One, terceiro escalão, atingiu cerca de 10.647. Ou seja, uma competição do terceiro nível, em Inglaterra, mobiliza praticamente o mesmo público que a primeira divisão portuguesa.
O paradoxo torna-se ainda mais evidente quando confrontado com as audiências televisivas. Em 2025/26, a Liga Portugal alcançou 41,3 milhões de espectadores, o melhor resultado das últimas seis temporadas e muito acima dos 34,1 milhões de 2024/25. Há, portanto, mais pessoas a ver futebol, mas não necessariamente mais pessoas a ir aos estádios de futebol.
O problema não será........
