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Pagar a fatura. Opinião da advogada Rita Garcia Pereira

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08.09.2026

Não me convidaram Pra esta festa pobre Que os homens armaram Pra me convencer A pagar sem ver Toda essa droga Que já vem malhada Antes de eu nascer 

Acabaram as minhas férias e acabou a silly season. Infelizmente, não acabou o estado do País. 

Agosto findou já há mais de uma semana e com ele terminou oficialmente aquele período mágico do ano em que parece que Portugal fica fechado para férias, excepto para os incêndios, as filas nas urgências, os preços das casas e, naturalmente, as declarações políticas feitas à sombra de uma palmeira. 

É isto a chamada silly season: uma espécie de suspensão temporária da realidade, que, contud,o se continua a mover, mas durante a qual se convencionou que o País pode esperar. 

Agora chegou a rentrée. E, com ela, regressam os fatos, as gravatas, os debates parlamentares, as entrevistas, os comentadores e aquela extraordinária capacidade nacional de apresentar como novidade aquilo que já sabíamos em maio. 

Os partidos regressam ao palco. O Governo retoma mais claramente a atividade. A oposição afia as críticas e, entre elas, o Chega apresenta moções de censura. E nós, cidadãos, voltamos a assistir ao espetáculo com a esperança — talvez excessivamente ingénua — de que, desta vez, alguém tenha aproveitado o verão para fazer o que ainda não parece ter sido realmente feito:  pensar. 

A verdade impõe que se diga que a rentrée política portuguesa começou antes de setembro. E talvez seja precisamente esse o problema: há demasiada preocupação com o palco e pouca com a peça em que estamos todos envolvidos.  

Portugal não precisa de mais uma temporada de frases feitas sobre “crescimento”, “competitividade”, “reformas” e “contas certas”. Já ouvimos tudo isto tantas vezes que quase seria possível fazer um hino da governação portuguesa. 

Falta saber uma coisa muito mais simples: quem paga a fatura? 

Porque quando se fala de crescimento, raramente se pergunta o que cresce. 

Crescem os salários? Cresce o poder de compra? Cresce a habitação pública? Cresce o número de trabalhadores com contratos estáveis? Cresce o investimento no........

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