Passos Coelho regressou, ainda bem
1. Na manhã em que acordámos com António José Seguro como Presidente da República, Luís Montenegro como primeiro-ministro e André Ventura como líder da oposição, ouvi um comentador político próximo de Passos Coelho, Pedro Gomes Sanches, dizer que vivíamos, no fundo, um clima de instabilidade porque nada se decidia. Apontava como exemplo a dificuldade em escolher nomes para a Provedoria de Justiça ou o Tribunal Constitucional.
A observação é legítima e tem base factual. Mas também revela algo mais. Somada a outras intervenções semelhantes, ajuda a compor uma narrativa política que serve de suporte às ambições de Passos Coelho.
Ninguém tem dúvidas sobre os propósitos do ex-primeiro-ministro. Mas assistir a pessoas do seu círculo mais próximo a repetir exatamente a mesma mensagem que ele próprio vai deixando nas suas constantes aparições públicas torna tudo ainda mais transparente.
O próprio Passos Coelho reconhece − e bem − que é um político profissional. É a sua vida. Provavelmente foi por causa da atividade política, a mais nobre das atividades públicas, que se licenciou tão tarde e que hoje não tem grandes alternativas profissionais fora dela. Mas mesmo que as tivesse, a política seria sempre o seu mundo.
Não tenho grandes dúvidas de que exista também ressentimento. Por ter ficado em primeiro lugar numa eleição e não ter mantido o cargo. Por Montenegro não lhe prestar as vénias que considera devidas. Por o País não lhe reconhecer suficientemente o mérito do seu (pouco) brilhante mandato.
Mas isso, no essencial, é irrelevante. Seja por achar que pode fazer muito pelo País, seja por qualquer........
