A mulher que o Estado não conseguiu matar
No dia 30 de setembro, no Tennessee, deitaram uma mulher de cinquenta anos numa maca com os braços abertos, presos a duas tábuas. Quem já viu uma sabe que tem a forma de uma cruz. Injetaram-lhe uma doseletal. Depois outra. E ela continuou a respirar.
Chama-se Christa Pike.
Há dois mil anos, o povo também crucificou um homem, e ele voltou ao terceiro dia. Ela foi mais rápida.
Não escrevo isto para a pôr num altar. Não é uma santa. E é exatamente por isso que me custa tanto deixar de pensar nela.
A Christa começou a ser abusada aos dois anos. Dois. A idade em que se aprende a dizer “não” e ninguém adeixou dizê-lo. Foi violada aos onze, e o homem que o fez saiu com uma acusação reduzida. Voltou a ser violada aos dezassete. Cresceu entre a negligência e o abandono, com uma perturbação bipolar e um stress pós-traumático que só seriam diagnosticados anos depois de estar presa. Passou por um tribunal de menores na Carolina do Norte, e o homem que a representou, hoje juiz reformado, escreveu ao governador, 30 anos depois, uma frase que devia estar gravada à porta de todos os tribunais do mundo: falhámos-lhe.
Em janeiro de 1995, com 18 anos, num programa de formação para jovens pobres em Knoxville, a Christae dois rapazes atraíram uma colega para um sítio isolado e mataram-na. Não vou descrever o que lhefizeram. Ela merece ser lembrada pela vida e não pela forma como a perdeu. Chamava-se Colleen Slemmer.Tinha 19 anos. Nessa noite, tentou ligar à mãe, na Florida, e a chamada caiu. Este ano teria feito 51. A mãe dela diz que não passa um minutos em pensar na filha.
Há duas miúdas nesta história. Uma........
