Exames Nacionais: Três dias antes do fim do mundo
É sábado. Estamos a três dias do fim do prazo para a classificação dos Exames Nacionais. Em milhares de casas portuguesas, professores classificadores permanecem sentados diante de um computador, sem saberem quantas provas ainda irão receber, quantas horas terão de trabalhar ou quando terminará verdadeiramente a tarefa que lhes foi imposta. A incerteza tornou-se rotina. O improviso tornou-se método. E aquilo que deveria ser uma exceção passou a constituir a regra.
Este cenário ultrapassa largamente a questão administrativa. Não se trata apenas de corrigir exames. Trata-se de compreender o que acontece quando uma instituição exige profissionalismo absoluto enquanto oferece, em troca, imprevisibilidade permanente. Trata-se de perceber o que sucede quando o discurso oficial e a experiência real dos trabalhadores deixam de coincidir.
A psicologia tem um nome para este fenómeno: dissonância cognitiva.
O psicólogo norte-americano Leon Festinger, autor da obra A Theory of Cognitive Dissonance (1957), demonstrou que os indivíduos experimentam sofrimento psicológico quando são forçados a conciliar crenças incompatíveis. Quanto maior a contradição entre aquilo que lhes é dito e aquilo que vivem, maior a tensão interior produzida.
É precisamente essa tensão que muitos professores classificadores sentem hoje. Por um lado, escutam diariamente discursos institucionais sobre valorização profissional, saúde mental, bem-estar, conciliação entre vida pessoal e vida profissional e respeito pelos trabalhadores. Por outro, vivem uma realidade em que podem continuar a receber exames para corrigir a poucos dias do encerramento dos prazos, sem previsibilidade, sem controlo do seu tempo e sem qualquer possibilidade de organizar a própria vida.
A mensagem oficial afirma:
— Os........
