E se não precisássemos das férias para recuperar da nossa própria vida? Opinião de uma enfermeira
Há uma frase que se repete todos os anos, à medida que as férias se aproximam: “Estou mesmo a precisar de parar.”
Dizemo-la quase como se fosse inevitável chegar a esta altura do ano cansados, saturados e a contar os dias para finalmente descansar. As férias tornam-se, assim, uma espécie de linha de chegada. O momento em que nos autorizamos a dormir mais, a abrandar, a estar com quem gostamos e, simplesmente, a ter tempo.
Mas talvez valha a pena fazer uma pergunta menos confortável: porque precisamos de chegar às férias para recuperar da vida que levamos durante o resto do ano?
A ciência mostra-nos que os períodos de descanso são importantes. Afastarmo-nos temporariamente das exigências profissionais e das rotinas habituais pode contribuir para reduzir a perceção de stress, melhorar o bem-estar e favorecer a recuperação física e psicológica. O problema é que estes benefícios tendem, muitas vezes, a diminuir depois do regresso ao quotidiano.
E talvez isso aconteça porque regressamos exatamente à mesma vida da qual precisávamos de recuperar.
Não são apenas o destino, o hotel ou a ausência de trabalho que nos fazem sentir diferentes nas férias. Muitas vezes, mudamos profundamente a forma como vivemos. Dormimos mais. Caminhamos mais. Passamos mais tempo ao ar livre. Comemos com menos pressa. Estamos mais disponíveis para conversar. Rimos mais. Olhamos menos para o relógio. Permitimo-nos não ser produtivos durante todas as horas do dia.
Nas férias, o tempo parece ter outra qualidade.
E o nosso organismo sente essa diferença.
Quando reduzimos a exposição prolongada ao stress e criamos espaço para a recuperação, o........
