menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Como se ama um país quando ele deixa de nos representar?

40 0
22.06.2026

O Mundial costuma ser um momento estranhamente poderoso. Durante alguns dias, criamos, instintivamente, a sensação de união em torno da nossa bandeira e da nossa seleção e transformamo-nos num símbolo coletivo. É um daqueles raros momentos em que a ideia de ser “país” parece simples. Mesmo quem não acompanha normalmente o futebol, vibra junto com quem é apaixonado por ele, reconhecemo-nos uns nos outros e todos na nossa seleção.

Há dias, num final de tarde a olhar o nosso mar, dei por mim a pensar: o que é, afinal, um país? O que é uma pátria? Será apenas um território, uma bandeira, um hino, uma seleção? Ou será, antes de tudo, uma comunidade viva de pessoas, construída por valores, história, cultura, diversidade e escolhas éticas sobre como nos relacionamos uns com os outros?

O amor por um país não pode ser confundido com a aceitação passiva de tudo aquilo que é feito em seu nome. Pelo contrário, o vínculo mais profundo revela-se na capacidade de o questionarmos quando o vemos a afastar-se dos valores que diz defender.

Desagrada-me a forma como o meu país tem lidado com as grandes questões do nosso tempo. Em particular, a posição política e diplomática perante o sofrimento do povo........

© Visão