Afinal, quem armou a tenda? Um inquérito e quatro gráficos para responder, por um matemático
Visitei a acampada do Porto, pela primeira vez, no dia 14 de outubro, algumas horas antes da repressão policial que aumentou significativamente a sua expressão mediática. Deste modo, consegui testemunhar ainda a fase inicial do movimento, quando a praça estava a ser ocupada apenas pelos mais ousados. Olhei-os com admiração e pensei: “o punk está vivo!”.
Após o episódio de violência policial, os meios de comunicação social foram inundados por opiniões, bitaites e mentiras sobre o acontecimento, vindos de pessoas que em nenhum momento puseram lá os pés. Uma intervenção particularmente repugnante veio do deputado do Chega que disse: “Estes manifestantes, senhores deputados, não precisam de habitação. Quanto muito precisam de um champô e precisam de tomar banho”, exibindo uma fotografia de dois manifestantes com uma aparência alternativa. Nessa mesma intervenção, acrescentou: “Carrega, PSP, carrega em cima deles pela ordem e pela autoridade do Estado”. Só por escrever estas palavras já sinto a raiva a borbulhar dentro de mim.
Ao abrirmos as caixas de comentários de notícias relacionadas com estas manifestações pela habitação, deparamo-nos com uma abundância de mensagens do tipo: “Não trabalham???”, “Só vejo brasileiros”, “É só gente com mau aspeto”. E eu pergunto: o que é ter bom aspeto? É ter a pele branca, usar calças........
