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Opinião | A epidemia silenciosa da intolerância

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22.06.2026

Quando a pandemia de Covid-19 paralisou o mundo em 2020, muitos acreditaram que estávamos perante um daqueles momentos históricos capazes de transformar profundamente as sociedades. De um dia para o outro, fomos confrontados com a fragilidade da vida, com a incerteza e com a necessidade de depender uns dos outros. Durante meses, assistimos a manifestações de solidariedade, entreajuda e reconhecimento coletivo da importância da comunidade.

Parecia emergir uma consciência renovada de que os problemas globais exigem respostas coletivas e de que ninguém está verdadeiramente protegido quando os outros não estão. Havia quem defendesse que, após a pandemia, sairíamos mais humanos, mais atentos ao próximo e mais conscientes do valor das pequenas coisas que tantas vezes tomávamos por garantidas.

Seis anos depois, a realidade parece contrariar esse otimismo.

As guerras continuam a devastar populações inteiras, as desigualdades persistem e os níveis de polarização social e política atingem patamares preocupantes em muitas democracias. Mas há uma transformação mais subtil, menos discutida e talvez por isso mais inquietante que é a crescente intolerância que se instalou no quotidiano.

Não se trata apenas da intolerância ideológica que domina as redes sociais ou do confronto permanente entre visões políticas opostas. Trata-se de algo mais profundo e transversal. Trata-se da........

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