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PISA 2025: O paradoxo da receita conservadora na era da Inteligência Artificial

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saturday

Há um paradoxo no debate que se seguiu aos resultados do PISA 2025. Precisamente quando a Inteligência Artificial está a transformar radicalmente o que significa saber, aprender e trabalhar, ganha força um discurso educativo que parece olhar para o passado: back to basics, currículo mais prescritivo, avaliação estandardizada desde cedo, mais exames, professores centrados na preparação para os testes e menor autonomia pedagógica e científica.

A receita parece simples: perante a queda dos resultados, é preciso ensinar mais conteúdos, exigir mais, avaliar mais e controlar melhor. O problema é que esta receita poderá acentuar precisamente a crise de aprendizagem que pretende resolver.

Não está em causa defender uma escola sem conhecimento, sem exigência ou sem avaliação. Pelo contrário. A escola deve garantir a todos o acesso a conhecimento rigoroso, sistemático e intelectualmente poderoso. Michael Young tem razão ao sublinhar que uma das funções fundamentais da escola é proporcionar formas de conhecimento que permitam aos alunos ultrapassar os limites da sua experiência quotidiana.

Mas conhecimento poderoso não é sinónimo de conhecimento facilmente testável. E exigência não é sinónimo de controlo.

A investigação sobre os efeitos dos sistemas de avaliação de alto impacto é extensa. Quando os resultados dos testes têm consequências sobre escolas, professores ou alunos, aquilo que é medido tende a dominar aquilo que é ensinado. O currículo estreita-se em torno das disciplinas avaliadas; o ensino tende a orientar-se para a preparação dos exames; o conhecimento é fragmentado em unidades que possam ser facilmente testadas. É o conhecido efeito de washback.

O paradoxo é evidente: quanto mais a escola organiza o ensino em função do que pode ser medido, maior é o risco de empobrecer aquilo que pretendemos medir.

A curiosidade, a investigação, a discussão, a........

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