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Da Freguesia ao pileque: ele está por trás dos tragos mais criativos de SP

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27.01.2026

Pelos muitos balcões de São Paulo por onde passou, impossível João Piccolo passar despercebido. Por sua experiência acumulada com apenas 34 anos, difícil não acreditar que "a gente é para o que nasce".

Entre os motivos do magnetismo do "Atleta de Balcão" estão os drinques de surpresas afinadas, a destreza em não perder um olho na coqueteleira e outro em quem fez o pedido, o papo charmoso que gera amizades instantâneas todas as noites em seu P'Lek e, claro, um indefectível bigode.

Esse último, uma homenagem ao avô, morto há quase dez anos. Pai da mãe de João, Newton Del Tedesco foi um notável: filho de imigrantes italianos, saiu do interior de São Paulo para estudar ciências contábeis, fez carreira na General Motors e virou uma lenda na Scania, como explica o neto.

Daniela Lima

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Segundo seu obituário na Folha de S.Paulo (Caipira 'formidável', queria conhecer o Brasil, de 19/04/2016), "formidável!" era seu adjetivo favorito, "usado até para elogiar uma caipirinha bem-feita".

Quando ele faleceu, pensei que a vida inteira ele usou bigode, nem minha avó viu ele sem bigode. Decidi botar o bigode, explica o visual.

Do lado do pai, os Piccolo, que imigraram "com uma mão na frente e outra atrás" e saíram da roça para a Freguesia do Ó.

Quem é de bar já sabe que o sobrenome e o bairro têm uma ligação potente: Valdecyr e Cassio Piccolo, avô e tio de João, que, com Norberto D'Oliveira, tocaram o FrangÓ.

Antes de João nascer, o pai, que viera do cinema publicitário, teve a ideia de abrir uma rotisseria no Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó. A ideia era entregar frango assado para viagem. Frango Ó... o resto é uma história que resiste há 39 anos.

"Esse é o primeiro logotipo, um frango meio avião", aponta o bartender para uma das muitas tatuagens do braço.

Da infância no que cresceu e apareceu como um bar, João se lembra da expansão do andar debaixo, da loucura e sensação que o FrangÓ causou no bairro. E não é a única lembrança saborosa.

Isso porque, do lado da mãe, havia um restaurante japonês comandado pelos festeiros e bem-humorados Del Tedesco. Com pouquíssima idade, João se lembra de beliscar peixe cru com gosto, sem fazer cara feia.

Hoje, João se sente privilegiado por ter presenciado, desde cedo, os bastidores de uma indústria que o atrairia anos depois.

Um momento muito mágico é o restaurante antes de abrir e depois de fechar, tem uma coisa de teatro vazio, sabe? Eu fecho o olho e eu sinto o cheiro do FrangÓ. Aquele cheiro de chopeira, descreve.

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