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Gaby Dabrowski: volta com Luisa, tratamento contra câncer e SP na mira

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25.03.2026

Gaby Dabrowski: volta com Luisa, tratamento contra câncer e SP na mira

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Dois anos e meio depois de uma separação que abalou uma amizade, Luisa Stefani retomou a parceria com a canadense Gabriela Dabrowski em 2026, e o sucesso não demorou a vir. Uma semifinal no Australian Open, outra em Doha e um título em Dubai. Nesta semana, a parceria já está nas semifinais do Miami Open, mais um torneio da série WTA 1000.

Nesta terça-feira, meu primeiro dia no torneio, consegui ter um papo muito interessante com Dabrowski. A canadense de 33 anos, atual número 3 do mundo, relembrou do processo de retomada da relação com a brasileira e falou sobre como a parceria está ainda mais forte do que antes. Também contou como anda seu tratamento contra um câncer de mama descoberto em 2024, revelou seus objetivos imediatos (e não tão imediatos) dentro de quadra e prometeu estar junto de Luisa no SP Open, o único torneio de nível WTA no Brasil, na edição deste ano.

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Não quero te perguntar sobre a separação com a Luisa, que sei ser um assunto delicado para vocês...

Mas você pode contar como foi o processo para vocês voltarem a jogar juntas?

Eu lembro de vê-la em Guadalajara depois que a Erin (Routliffe) e eu ganhamos o US Open, em 2023, e ela foi muito doce ao me dar os parabéns. E aquilo foi muito legal. Obviamente, a gente se vê muito nos torneios. Tínhamos uma forte amizade antes e, quando eu tive o diagnóstico de câncer em 2024, uma de nossas amigas mais próximos perguntou se podia falar com ela [Luisa] sobre o diagnóstico, e eu disse "sim, pode. Eu confio totalmente nela". E a tia da Luisa tinha sido diagnosticada também, então ela me mandou uma mensagem bonita e meio que demos apoio uma à outra ao longo do tempo. Ela me deu muita força, e eu perguntava como a tia dela estava. Coisas muito humanas, sabe? Coisas que acontecem na vida. E, ao longo do tempo, fomos lentamente reconstruindo nossa amizade e passamos mais tempo juntas fora do tênis. Cafés e coisas assim até que no fim do ano passado estávamos quase de volta quase ao normal. Tivemos conversas muito boas e comemoramos os nossos sucessos, o que achei muito bonito. E também temos amigas em comum, então todo mundo nos mantinha atualizadas sobre o que a outra estava vivendo. Então, no fim do ano passado, estávamos passando por mudanças de parceiras e, de novo, houve conversas sobre voltar a jogar juntas...

Quem sugeriu a volta?

(Dabrowski para pra pensar por alguns segundos) Quando eu soube que a Erin jogaria com a Asia [Muhammad], procurei o Gui [Pachane, técnico de Luisa Stefani] e falei que estava interessada em jogar com a Lu nesta temporada. E deixei para ele ter essa conversa com ela quando achasse correto. Porque ela e a Time [Babos] ainda estavam tentando classificar para o WTA Finais, então toda aquela gira asiática é muito estressante e você não quer pensar no futuro, você está pensando só na próxima partida e tentando somar os pontos para se classificar, né? E eu topei esperar, não estava com pressa. Respeitei muito o trabalho que o Gui e a Lu fizeram com o tênis dela nesses anos, vi muita evolução, e eu queria nos dar essa outra chance se ela topasse. Então chegou o fim do ano e conversamos. Acho que, tecnicamente, fui eu que sugeri, mas acho que nos bastidores não sei. Os técnicos se falam (risos), então você teria que perguntar a eles. Mas sim, eu sugeri e esperei até que eles tivessem aquela conversa. E sim, então decidimos nos juntar para 2026.

Eu não sabia se deveria perguntar, mas já que você tocou no assunto do câncer, mas como você mencionou, como está sua recuperação?

Sim. Basicamente a minha vida agora é estar em uma medicação de longo prazo. No mínimo, são cinco anos. É uma terapia hormonal. Basicamente, essa medicação impede que o estrogênio se junte ao meu corpo. É um comprimido por dia por pelo menos cinco anos. E depois a pessoa volta ao oncologista depois de cinco anos. Estou assim há um ano e meio. A cada seis meses faço uma mamografia. Nos outros seis meses, uma ressonância. São dois exames por ano. E, se precisar, um ultrassom dependendo do que aparecer na mamografia. E... (Dabrowski olha o relógio) provavelmente vou ligar hoje ou amanhã para o consultório do meu médico em Tampa e marcar minha mamografia para a próxima semana porque depois vou para a Europa e é mais difícil de fazer lá. Então essa é a minha linha do tempo (sorri).

Você e a Luisa passaram por experiências diferentes e difíceis nos últimos antes. Você com o câncer, e ela com a lesão no joelho. É justo dizer que por terem passado por isso, além da questão da relação pessoal, são um time mais forte agora?

Acho que sim (enfática). Nós duas somos pessoas muito resilientes, e agora passamos por muitas adversidades, em maneiras diferentes. E conseguimos achar caminhos individualmente e, agora, como uma parceria, o que acho muito bonito e empolgante também. É muito legal! Acho é uma situação única no nosso esporte. Sou grata por ter passado por isso. Na verdade, sou grata por termos outra chance porque acho que aprendemos muito com a outra vez que jogamos juntas. E crescemos muito como pessoas e duplistas também. Então acho que é um momento ótimo de nossas carreiras. Acho isso mesmo.

Eu lembro de ver vocês jogando em Melbourne, primeira rodada, foi o primeiro jogo após o retorno, né? E lembro de naquela primeira partida ver vocês sorrindo e se divertindo e pensei "elas voltaram mesmo".

E vocês têm ido longe em torneios. Posso dizer que vocês são candidatas todos os títulos grandes hoje, certo?

Acho que precisamos nos considerar candidatas porque no fim do dia é uma competição e tudo pode acontecer. Então acho que todos devem se considerar candidatos...

Talvez tenha sido uma palavra ruim da minha parte. Talvez "favoritas" seja mais justo.

É claro que... Sempre acreditamos que podemos ganhar um torneio, mas o que digo - e que amo e nossa parceria e em nossos técnicos - é que estamos muito focadas no processo e onde precisamos melhorar e tapar os buracos em nosso jogo. Então sim, temos a crença de que podemos ganhar os torneios, mas acreditar não é a única coisa que vai fazer você chegar lá. Ainda é preciso manter a velocidade no serviço, ter precisão, ter coragem nos pontos importantes e apoiar uma a outra. Todas essas coisas precisam acontecer também, além de acreditar. Gosto da direção em que estamos caminhando e vem sendo divertido até agora.

Sobre o público aqui, são muitos brasileiros apoiando vocês. Parece que você está curtindo...

Você consideraria jogar o 250 de São Paulo e ver de perto esse público?

Em São Paulo? Sim! Já disse que vou! A única coisa que pode me impedir seria uma lesão. Eu já tinha falado "sim, sim, é o torneio da Lu, estarei lá" (mais risos).

Última: você é uma campeã de slam, já foi número 2 do mundo, já realizou muita coisa....

Qual é o seu objetivo máximo agora? Ser número 1? Ou "apenas" ganhar slams?

Honestamente, o ranking não é meu objetivo. É a meta de algumas pessoas e às vezes eu ouço "seria muito legal se você conseguisse", mas honestamente, vou ser a mesma pessoa se for número 1, 2, 3 ou 100.

Não importa se você parar de jogar e não tiver sido número 1?

Não. Não importa. Não importa! Todo mundo fica obcecado com o ranking. Para mim, é um bônus e, honestamente, você não tem controle sobre o ranking. O que importa mais para mim é jogar bem e ir consistentemente longe nos torneios. Para mim, isso reflete o seu nível e o que você leva para a quadra. O ranking é só um número. É só algo que te ajuda com as chaves (sendo cabeça de chave). É um clickbait. É bom para a mídia, mas não me motiva pessoalmente. Se acontecer em algum momento, ótimo, mas até do jeito que nosso ranking funciona, você pode ser número 1 em uma semana e número 2 na seguinte, só porque algumas pessoas não defenderam seus pontos ou porque você foi um pouco melhor naquela semana. Você pode ganhar torneios e não ser número 1. Eu quero ganhar os torneios. É meu objetivo. E curtir o que estou fazendo. Honestamente, depois do câncer, e vou fazer 34 anos daqui a pouco. Se eu não curtir, não faz sentido. Então, para mim é uma questão de fazer minha vida e minhas rotinas tendo as melhores pessoas ao meu redor para que eu curta este estilo de vida e competir. Meu foco está muito mais nisto.

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